NA FREQUÊNCIA DA VIDA…

ERA UMA CHATICE SER VIRGEM…

Olá, amigo ouvinte!

Naquela tarde, junto à paragem do autocarro, e enquanto esperavam que este chegasse, um grupo de alunos (seriam uns 4 ou cinco…) aproveitavam o tempo. Enquanto ao lado, uns metros arredados, uns ainda discutiam as incidências do último fim de semana desportivo…para outros nada melhor do que por uma leitura em dia. Não, não é isso que está a pensar, amigo ouvinte! Pensava que estavam de volta dos livros, não? O estudo faz-se mais tarde, se houver tempo, se não houver sono, e se não der nada de jeito na televisão… Se der um filme porreiro-… nada feito; ardeu a tenda. O TPC tem tempo para se fazer; também se não fizer, no intervalo de uma aula, sempre se dá uma vista de olhos no trabalho do colega, muda-se aqui ou ali um bocado do paleio- para não ser tudo igual… Sim, porque a professora também não é parva nenhuma… e resolve-se logo o problema ! De que é que está à espera?

Pois é, amigo ouvinte! Esta malta é assim e se calhar, se calhar ou sem ser se calhar, também não é muito diferente da de outros tempos, pois não?

Pois bem, e como ia a dizer, quando saía , aquele grupo, enquanto esperava o autocarro, chamou-me a atenção: estava muito sério, todos debruçadinhos, fazendo uma roda hermética em que ninguém do exterior poderia entrar…;

Enquanto me aproximava, a Sandra Cristina, uma do Grupo, ao ver o Stôr que passava deu logo mostras do que se estava a passar:

-Ó stôr… stôr?? já viu esta cena?- Perguntou uma aluna de olhos azuis, azuis ou verdes- eu nestas coisas nunca percebo bem qual é a diferença…- com uma revista conhecida na mão…

- Qual cena?

-I sto aqui, Stôr -respondeu a Sandra enquanto apontava com o dedo a parte da revista.

Eu, num ápice vi logo do que se tratava, atendendo ao género da revista. Por isso, fiz menção de avançar, enquanto dizia:

- Não me digam que ainda perdem tempo com essas baboseiras?

A revista, amigo ouvinte, não era nada disso que está a pensar! Era daquelas revistas de muita circulação que recebem cartas de leitores e que depois, num espaço próprio respondem com respostas parvas a perguntas ainda mais parvas… está a ver? Sim, sim , essas, mesmo, onde as leitores aparecem a perguntar se ficam grávidas quando beijam o namorado; O que é que devem fazer para aumentar os seios… e outras perguntas do género, qual delas a mais parva… e sempre anónimas, como convém…

Desta vez, o problema dentre vários que concentrava a atenção daquele grupinho era um rapaz que escreveu para a revista muito lastimoso porque estava mesmo enrascado: Tinha dito à namorada que não era virgem e agora andava muito apreensivo pois tinha medo, quando chegasse o momento, de ela descobrir…que ele afinal era mesmo virgem?

Já viu amigo ouvinte? Problema bem grave, não lhe parece? A Bósnia, ou os incidentes das nossas cadeias comparados com isto não prestam para nada… é o que é!

Pois é, amigo ouvinte! Que pensar de tudo isto que vai acontecendo cada vez com mais frequência, na frequência da nossa vida?

Será que é anormal ser Normal? Será precisa, assim, tanta coragem nos dias que correm para se dizer que é virgem? Será que o normal é fazer sem mais?

É caso para dizer, como o slogan que recomenda o preservativo e que anda, agora a passar, na nossa TV:

"Perdoai-lhes, Senhor, porque não sabem o que fazem…"

Sim, esta malta nova muitas vezes não sabe o que faz… mas… e os adultos? Sabem sempre o que dizem? Então porque escolhem frases como esta para campanhas publicitárias?

Até para a semana.

 Padre Júlio Grangeia

27/03/96