NA FREQUÊNCIA DA VIDA
Olá, amigo ouvinte!
Poderia chamar-se Sónia. Tem 16 anos. Frequenta o 11º ano É uma aluna interessada, aplicada e bonita também; por dentro e por fora. Tem uns olhos espectaculares mas tem, também, um sorriso triste, muito triste! Das poucas vezes que sorri quase que se arrepende de o fazer; como se de um pecado se tratasse ;
Já por várias vezes tentei investigar o que se passa; Não tem dado; a tarefa não tem sido fácil: umas vezes porque não há "clima" ; outras porque nem sempre a apanho a jeito: E nestas coisas, como o amigo ouvinte sabe, ou se diz no momento certo e se sabe dizer, ou então, o melhor, mesmo, é esperar pela altura certa mesmo que esta, por vezes, pareça que só vai surgir no dia de São nunca à tarde
Por isso esperei. Até que um dia, junto ao bar da escola, apanhei-a a jeito:
Bom Se não quiseres falar tudo bem; Não tenho nada que me meter onde não sou chamado; mas também sou teu amigo e não gosto de te ver assim; Se não queres dizer não digas agora não digas que está tudo bem, quando não está E não é preciso ser muito inteligente para perceber isso - argumentei assim, de "caixão à cova" - como se costuma dizer para logo de seguida voltar a perguntar:
E a Sónia, de olhos lindos e sorriso triste, lá contou a sua história; uma história tão incrível como insólita ; uma história capaz de tirar qualquer um do sério
Tudo começou há uns tempos largos atrás: o pai da Sónia, pai que nunca se deu muito bem com a mãe , diga-se, tem andado agora muito esquisito; a coisa nunca esteve bem só que agora não há mesmo ponta por onde se lhe pegue: Certas saídas, em certos dias, e a horas certas têm levantado muitas suspeitas. Por tudo isto e por muito mais, a situação conjugal dos pais da Sónia, está, agora, incontrolável; em estado de ruptura; em rota de colisão. Num destes Sábados aconteceu o inevitável; a tragédia esteve por um fio
A mãe da Sónia já vinha desconfiando: aquelas saídas que ele fazia de carro todos os sábados às 3 horas da tarde, eram suspeitas; muito suspeitas. A mais a mais o facto de ele ir sempre muito arranjadinho não ajudava nada ; só contribuia para agravar a desconfiança.
As desculpas que ele ia dando não convenciam: só levantavam mais suspeição. Por isso, nada melhor do que preparar um esquema para o apanhar em flagrante e por tudo em pratos limpos - Lá terá pensado a mãe da Sónia. E se assim o pensou melhor o fez: Naquele Sábado, enquanto ele se arranjava, para mais uma saída misteriosa, a mãe da Sónia não teve muitas dúvidas. Pegou na faca da cozinha, meteu-se dentro da mala do carro e esperou; esperou dentro da mala, para ver como paravam as modas, disposta ao que desse e viesse
Pois é amigo ouvinte: nem é bom contar o resto. Quando o carro parou, e depois de ter entrado a passageira,- sim, sempre havia outra mulher metida no meio de tudo isto - então, é que foi o bonito: A mãe- não sei como- lá consegue entrar dentro do carro, agarra-se ao cabelo da dita cuja Enfim foi um papelinho
Poderia chamar-se Sónia. Tem 16 anos. Anda no 11º ano. Tem uns olhos lindos mas tem também um sorriso triste...
Tem pais; estão juntos, ainda ; até ver ainda estão juntos Tem uns pais especiais de corrida:
O pai , o seu pai, é marido da mãe, mas é amante há anos de uma outra mulher; A mãe, é sua mãe , pois é, só que também é mulher para pegar na faca da cozinha e meter-se na mala do carro para matar não sei quem A Sónia, para já, não culpa ninguém...