NA FREQUÊNCIA DA VIDA

Os (des) amores de "Lady Di"

Pois é, amigo ouvinte!

Agora, pelos vistos, é o que está a dar...; não se fala de outra coisa! Estou a referir-me concretamente aos amores - ou se quiser, aos desamores, do Príncipe Carlos com a Lady Diana ou Lady Dy, se assim quiser...

Depois que as coisas começaram a dar pró torto... é um ver se te avias; cada um diz o pior que pode e sabe acerca do outro...;

Agora até dá direito a tiragens especiais, com manchete de caixa alta, e tudo, nos jornais de grande divulgação como o Sunday times... em que este incidente familiar é escalpelizado até ao ínfimo detalhe mais escabroso; E pronto: é a repercussão dum incidente familiar que, começa, assim, e com a ajuda dos "mass media", a ter repercussão quase que diria, à escala planetária...

Devido à força e ao poder de impacto dos Media, junto da opinião pública, hoje qualquer um sabe que a princesa é muito infeliz, coitadinha, que fez um grande frete em casar com o príncipe, que é, apesar de príncipe, um grande calmeirão. Este, por seu turno, apesar de ser príncipe, também é humano, coitado, e vai daí, só foi infiel à mulher uma vez! Pois então! Um homem não é de ferro...e um príncipe, muito mais, "estás se" mesmo a ver...! Claro que molhou o bico também, antes de..., e depois de..., mas isso já não é tão importante, ...porque já não dá direito a adultério, e a "coisa" ,assim, já não pega" tanto...;

Quer dizer: depois de muitos sorrisinhos de circunstância, e de pompa, e de pompa e circunstância, agora, o que se vem a descobrir... - e isto tudo em exclusivo para o Sunday Times, claro está, é que foram todos muitos infelizes... e contrariamente ao que se costuma contar nos contos de príncipes e princesas, é que, e apesar de o serem, não viveram, ao que tudo indica, felizes para sempre...

Afinal, o príncipe nunca amou a Lady Dy ... e este, a fazer fé naquilo que nos despejam, só casou com esta porque foi obrigado pelo pai... Esta, por seu turno, e ao que parece, terá feito também um frete de todo o tamanho em casar com quem casou, porque não era como nos contos de fadas. Etc,Etc, And so one, and so one...

Pois é, amigo ouvinte. Agora, e ironia à parte. É uma tristeza. Uma tristeza, que personagens tão reais, possam agir, assim, com tão pouca realeza;

É uma tristeza, que todos estes dramas sejam postos, assim, em praça pública, a nú...;Mais parece uma telenovela, onde não faltam até, os ingredientes dos próximos capítulos... na próxima edição do Sunday Times, obviamente...

É triste mesmo, ver o que se faz com a dignidade das pessoas; Brinca-se, assim, por dá cá aquela palha, com os sentimentos das pessoas, como se estas fossem meros objectos; meras marionetas, que se manipulam a bel-prazer! Tanto se fala de amor como de ódio, como do que calhar... de uma outra coisa qualquer; Agora já toda a gente dá palpites; até os próprios deputados, com a sua Fleuma tão british, já começam a descair, dizendo que se devem divorciar; mas... cuidado!, Calma aí: ... porque, segundo dizem, se for a casar de novo, e se eleita for uma divorciada, ... alto e pára o baile: aí, a coisa, já começa a entornar o caldo e é preciso não esquecer que, nessas circunstâncias 60% já não querem princesas desse nível... e cuidadinho com as sondagens...

Pois é, amigo ouvinte: sempre ouvi dizer que entre marido e mulher não se devia meter a colher; mas, claro, aqui como são príncipes , mete-se colher, garfo, televisão e jornais ... é o que calhar; o que conta é sacar o mais que se pode...

É a guerra das audiências...

O que interessa é prender a opinião pública nem que para tanto se conte... ou se invente,! Tanto faz! É o direito à informação que assim o exige,...Pois claro! O direito à informação... "está-se" mesmo a ver... Nem que seja para contar uma história de cordel; de cordel ou de bordel...o que vai dar ao mesmo... tudo se aproveita quando se trata de algo para Inglês ver...; Sim, pra Inglês ver...porque de Inglaterra se trata...

Pois é! Só que, pelos vistos, já não é só na Inglaterra. Nós já estamos a apanhar-lhe o jeito . Quer ver:

Ainda no Domingo passado, a nossa Sic, também como o mesmo fito de arranjar clientela, lembrou-se, em plena hora de audiência para toda a gente, de passar mais uma Caça ao tesouro. E se a ideia foi fazer notar que o tesouro, é mesmo a Pessoa Humana, ao nascer, será que estará certo, usarem -se os meios que se usaram? Será que era preciso, mostrar, e filmar com todos os planos e ângulos, o nascimento da forma como se mostrou?

Não somos apologistas do Tabu, nem do segredo das coisas, e muito menos das coisas bonitas e belas, como o nascimento de uma criança. Mas estará certo mostrar o que se mostrou, àquela hora. .. e, sobretudo, no decorrer de um concurso?...

A vida humana, ao nascer, ou a mulher que dá à luz, não merecerá uma outra dignidade, um outro respeito? Desde quando é que os fins justificam os meios!

Não concorda comigo?

 26/10/94

 Padre Júlio Grangeia