Na Frequência da Vida

Dinheiro de Michael Jacson não compra tudo…

Olá, amigo ouvinte!

Hoje,nesta minha crónica das Quarta-feiras, gostaria,consigo, e mais uma vez de "PROVAR O SABOR DA VIDA". Neste dia, gostaria de lhe falar de uma pequena notícia de 7 linhas que eu li num jornal diário acerca de Michael Jacson - o popular cantor Norte-Americano que, e ao que parece, é notícia onde quer que esteja. Mas esteja descansado, e desde já lhe prometo, não irei falar daquilo que dele se fala. Nem dos sucessos atrás de sucessos, nem das mudanças de visual, nem das operaçöes plásticas, à cara, ao nariz,e à cor da pele.

Não! Hoje não irei falar de todos estes artificialismos.Também não quero falar dos escândalos sobre eventuais violaçöes de menores, nem das desidrataçöes, nem das danças sexys e eróticas em palco, nem dos fumos e mais fumos, nem das limusines... nem, tampouco, no cancelamento dos concertos...não!

Desengane-se,amigo ouvinte! Não irei falar disso... Julgo que, quem sabe Ver, mas Ver mesmo a sério,para quem sabe VER e não apenas OLHAR a vida a passar, sabe que tudo isto não merece, de facto, tempo de antena... Não será tudo isto um conjunto,muito bem orquestrado de insólitas campanhas de marketing?

Bem, mas com toda esta conversa, sem querer já estou a falar daquilo que não quero! Por isso vamos ao assunto que me trouxe. Alias, e tal como a notícia, o caso também se conta em poucas palavras.

Como há pouco disse, li a notícia num jornal diário; daquelas notícias de meia dúzia de linhas...

Dizia a notícia que o nosso amigo Michael Jacson acompanhado de um batalhão de soldados e de polícias - para já não falar nos guarda-costas,e nos jornalistas, que o seguiam de perto - encaminhava-se, em plena cidade de Jerusalém, para um dos locais mais sagrados. Precisamente o muro das lamentaçöes junto ao qual um pequeno número de Judeus piedosos se encontrava a rezar.

Atrás de todo este arsenal de guarda-costas, polícias e militares,que seguiam Michael Jacson e que protegiam o artista de eventuais atentados, seguia também umas centenas de fãs que, para não fugir à regra, faziam um basqueiro bestial, gritando histericamente pelo seu ídolo. O amigo ouvinte deve fazer uma ideia aproximada daquilo que falamos, pois certamente já presenciou cenas parecidas nos mass media, nomeadamente na Televisão…

Pois bem, O nosso homem - sim, porque por mais que o queiram endeusar ou idolatrar, não passa disso mesmo,de um simples homem... -pois o cantor Michael Jacson, com todo aquele aparato, só queria uma coisa bem simples para qualquer mortal naquele local; muito simples mesmo: Só queria tocar no muro sagrado... Quem sabe se ao tocar nas pedras do muro esse gesto não daria um óptimo "videoclip" para futuros álbuns? Já imaginou, amigo ouvinte, a promoção que tal gesto acarretaria?

E é, então, amigo ouvinte, que contrariamente ao que se esperaria, acontece o insólito: Alheios a todo aquele arsenal bélico, alheios à gritaria histérica dos fãs, e à presença omnipotente e omnipresente dos Guarda-costas, os Judeus que estavam a rezar deram as mãos e fizeram uma corda. Aquele turbilhão de gente por ali não iria passar. E não passaram mesmo!

Jacson bem insistiu... Não teve qualquer hipótese! Teve que voltar para trás sem tocar as célebres pedras sagradas do muro das lamentaçöes...

O Michael Jacson, o senhor das plásticas e dos milhöes e dos milhöes de milhöes, o senhor que faz furor tanto na América como na Rússia,onde quer que esteja... mesmo super-protegido, não conseguiu tocar o muro, um simples muro...de pedra!

A mentalidade do Tio Sam dos "states" ali não funcionou; os dólares ali, pelo menos ali, não serviram para moeda de troca!

Apesar de Michael Jacson ter dinheiro suficiente para, se calhar, fazer um muro como aquele,em ouro, não conseguiu tocar sequer uma reles pedra do velho muro...

Sim,Michael Jacson, espero que tenhas e que todos tenhamos aprendido a lição que hoje parece estar cada vez mais esquecida:

O DINHEIRO NÃO COMPRA TUDO; Muito menos a fé simples de todo um povo.

 Padre Júlio Grangeia

21/09/93