NA FREQUÊNCIA DA VIDA

Incidentes com a IURD…

Olá, amigo ouvinte!

Hoje, gostaria de trazer à sua antena preferida, um assunto que ainda está na "berra". Um assunto que ainda se faz ouvir na Comunicação Social! Não! Não irei falar do assassinato bárbaro de Isac Rabin, o primeiro ministro Israelita, que morreu só porque se empenhou em fazer a Paz. Para já, não falo nem do 1º ministro assassinado nem de quem o assassinou, mesmo que o assassino diga que fez o que fez por vontade de Deus! E não falo hoje deste assunto tão candente como problemático tão somente porque os meus conhecimentos do Médio Oriente não são suficientemente consistentes para falar deste homem que passei a admirar: Isac Rabin, de seu nome. Irei falar de um outro assunto que também tem dominado as atenções dos MASS-MEDIA. Estou até convencido, que, se calhar, se eu não disser mais nada, o amigo ouvinte é capaz de lá chegar. Estou a referir-me, nomeadamente ao fenómeno da IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.

Por variadas razões a Igreja Universal do Reino de Deus tem sido notícia; tem dado azo às notícias mais díspares e insólitas. Seja, pelo tempo de antena que ocupa num dos canais televisivos; seja pelas rádios que já comprou; seja pelos recintos públicos que ocupa; seja, pela tentativa - e ao que tudo indica, para já não passa disso mesmo, de uma tentativa...- de compra do Coliseu, no Porto; seja pelo dízimo que exige aos seus seguidores; seja pela sugestão que os seus responsáveis fazem no consciente ou subconsciente das pessoas quando participam nas suas sessões; seja porque um dos pastores se virou aos pontapés a uma imagem da Senhora da Aparecida, no Brasil, ... etc, etc...

De facto, a Igreja Universal do Reino de Deus é notícia; Foi notícia; continua a ser notícia; muitas vezes pela negativa; algumas pela positiva: o que é certo é que continua em alta: A par do Bicho, e da música Pimba, é caso para dizer que é mesmo o que está a dar. Ah, claro está, também não quero esquecer a Ágata com o "Sai da minha vida", nem o "não se esqueça da escova de dentes". O amigo ouvinte vai, por certo, desculpar a ligeireza com que falo destes assuntos mas ultimamente não tenho comprado as revistas que, a par da "higt society", e dos programas da TV, sempre apresentam os programas com o maior share da audiência. Parece que é assim que se diz... É que agora, pelos vistos, o importante é a gente saber assim uns termos que são mais "in" para "botar figura". Por isso só tenho pena de não assistir ao BIG SHOW SIC para aumentar o meu léxico e a minha cultura em assuntos tão fundamentais para o homem. A par das telenovelas, agora só falta mesmo é saber como é que o Baião vai aparecer vestido ... para estarmos, mesmo, por dentro das cenas dos próximos capítulos... Mas adiante. Não era destas coisas tão importantes para o futuro da Humanidade que eu hoje queria falar. Hoje, e como já disse, gostaria, nesta conversa, de lhe dar uma palavrinha acerca, mesmo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Por uma questão de honestidade, e para o caso de o amigo ouvinte me estar a ouvir pela primeira vez, e de ainda não me conhecer, tenho que lhe dizer que sou padre, e padre Católico. No entanto, apesar de o ser e, por mais incrível que lhe possa pareçer, não vou falar mal da igreja universal do reino de Deus. E não irei hoje falar do que está mal na Igreja Universal pelo simples facto de que já houve muita boa gente que falou muitíssimo bem do que está mal e com os quais concordo plenamente! Mas... e é aqui, sobretudo que eu quero chegar, será que está tudo certo do outro lado? Do lado daqueles que não são da Igreja Universal? Será que está tudo bem?

Está mal comprar , ou tentar comprar, o Coliseu! Sim Senhor! Também concordo! É uma sala de cultura... que não deve ser utilizada para fins religiosos! Plenamente de acordo! Mas então... e antes desta tentativa de compra! Pensava-se na Cultura? Porque razão só agora é que se lembram da cultura? Porque é que não se lembraram antes? E será que o problema da cultura se resolve com manifestações pró coliseu em que nem sequer falta o Abrunhosa, esse grande vulto da cultura Portuguesa (!)- candidato, seguramente ao prémio novel, pela sua linguagem vernácula e erudita! Será que é, assim, que se promove a cultura? Mas... que cultura? Com "o" ou com "u"?!

Pois é! Agora também já não os querem, a eles, os da Universal, nos Shopigns; nem sequer estão seguros em simples barracões... ; O pessoal, agora, o que quer é mesmo, é que eles estejam longe, bem longe; ... junto à praia de preferência. Não estou a inventar; fui o que vi, e ouvi, na televisão... E a televisão, para muitos, é como o teste do algodão: Não engana!- como diz o outro; ... às vezes, digo, agora eu!

Pois é: São acusados de roubar, e de entrar, por um qualquer buraco para dentro do tal Shoping! Suspeitam... Para já, ao que tudo indica não há certeza que são eles. Mas, Apesar de não terem certezas... aqui, e porque são da UNIVERSAL, não há dúvidas. São eles- asseguram seraficamente os comerciantes! No entanto, enquanto as suspeitas viram certezas, sem haver certeza, as imagem televisivas que nos mostram os apoiantes da Igreja Universal a ser enxotados, vaiados e a ser perturbados com murros e pontapés no salão onde estão reunidos... e com a sua literatura a ser queimada ... aqui já está tudo bem... Será que o mal se resolve com outro mal?

Pois é amigo ouvinte: esta coisa da Democracia e da liberdade é uma coisa muito linda. E isto, no fim de contas- porque de contas também se trata- tanto se adapta aos bons como os maus- se é que aqui se pode fazer esta dicotomia. Não haverá gente séria de ambos os lados. Será legítimo meter tudo no mesmo saco?

Já Jesus Cristo dizia: Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trava que está na tua? Hipócrita: Tira primeiro a tua trave antes de olhar o argueiro do teu irmão...

Pois é, amigo ouvinte! Somos todos iguais, nesta vida. Mas pelos vistos, tenho que reconhecer como o outro: sempre há alguns que se consideram mais iguais do que os outros.

Não basta fazer só por fazer; dizer só por dizer: temos também que estar sintonizados, e bem sintonizados, na frequência da vida ... se efectivamente queremos ser diferentes; se não queremos ser como os outros; como os outros que, se calhar, criticamos sem mais... só porque agora é o que está a dar...

No entanto, ao fazer, o que eventualmente fazemos não estaremos a incorrer no risco de estarmos a ser como eles... que criticamos... ou piores até?

Não concorda comigo, amigo ouvinte?

Até para a semana?

7/11/95

 Padre Júlio Grangeia