NA FREQUÊNCIA DA VIDA
Olá, amigo ouvinte! Nesta minha crónica semanal das Quarta- feiras aqui,na sua rádio preferida, pretendo, sobretudo,ir dando a minha opinião acerca dos assuntos mais díspares que,de uma forma ou de outra, vão fazendo notícia. E com toda a franqueza hoje estou um pouco baralhado: não tanto por não ter assunto de conversa mas, por ter na manga dois assuntos bem candentes...
Como,à primeira vista um nada tem a ver com outro,e para que a minha crónica não se alongue em demasia, irei, hoje, apenas contar um deles. O outro,ficará para a semana se,entretanto, ainda se se justificar.
Bem...posto de parte este intróito, vamos então ao caso de hoje. Aliás ele é simples e rápido de contar...depois o amigo ouvinte,como bom entendedor que é, tirará as suas conclusöes...
Julgo que já deve ter ouvido falar deste caso até porque quer a RTP, quer a TV2, quer a SIC quer a TVI- 4, deram cobertura televisiva a caso tão caricato e insólito: Estou a referir-me aquela senhora que, e à falta de melhor argumentação, depois de se sentir traída ,não esteve com meias medidas e ...zás... capou o marido!!!
O caso foi para tribunal e, para minha surpresa, a esposa traída acabou por ser absolvida: ao que parece, ao fazer o que fez,isto é, ao cortar o orgão sexual do marido, praticou acto tão desvairado, porque se encontrava "fora de si", sem ter,por isso, qualquer noção do que estava a fazer.
Estava ainda a pensar no sucedido quando a rádio noticia mais dois casos semelhantes; desta feita em Portugal...e,mais coisa menos coisa, pelos mesmos motivos. Dá vontade de concluir, parafraseando um "slogan" que ,agora, a mesma televisão (e não só...) passa com muita regularidade, acerca do preservativo: "SE NÃO CONSEGUE SER FIEL,SEJA AO MENOS FIEL À VIDA". Pois, é,acerca de todas estas situaçöes, é caso para dizer aos maridos: Se não consegue ter respeito pela sua mulher, tenha,ao menos, consideração pelo seu orgão sexual...porque,e pelo andar da carruagem,por este caminho, ou ,se quiser, por este descaminho da infidelidade, está sujeito a ficar sem o "dito cujo"!...
Ora bem! Como o amigo ouvinte deve calcular esta situação, de castigar a infidelidade dos maridos com processos tão drásticos, como o de lhes cortar o respectivo orgão sexual, francamente...não lembra ao diabo! Afinal de contas não estamos no Iraque, onde segundo se parece, se corta o clítoris das mulheres para que estas não tenham prazer...
Por outro lado, esta atitude em si, como também aquela que alguns maridos evidenciam,como é a de fazer justiça pelas suas próprias mãos quando se encontra o outro ou a outra,em flagrante delito, permite que façamos uma reflexão séria acerca de todos estes extremos:
Será que um mal se resolve com outro mal? Não teremos nós todos telhados de vidros?! Afinal,e como já dizia Jesus Cristo, porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não olhas para a trave que esta na tua? Afinal, que é feito do perdão, do diálogo, da compreensão? Será que não haveria mesmo outra solução?! Convenhamos que, se "a moda pegar", o marido infiel depois de tratamento tão radical e persuasivo, deve, agora, pensar, pelo menos duas vezes... antes de voltar a fazer o que fazia ...porque, senão está sujeito a ficar sem...
Mas,volto a repetir: tudo isto nos deve interpelar fortemente. Agora já não está em causa a infidelidade ou o capar ou não capar quem é infiel; trata-se,isso sim,e para variar, de pensarmos um pouco mais,e também, nos outros. Essa coisa de a justiça ser feita pelas nossas mãos; essa coisa de pensar só em nós, só no nosso ponto de vista, só na nossa estabilidade, só na nossa família, só nos nossos critérios...se tudo isto for levado às últimas consequências pode ser desastroso... E se calhar já está a ser...como o foi no tempo de Hitler que alguns,agora, e sintomaticamente teimam em ressuscitar com modalidades muito subtís e sub-repticias...
Senão vejamos:
Essa coisa de, se a mulher quiser ter filhos, mesmo depois da menopausa, através da gravidez assistida...não será já um pouco resultado de toda esta forma de pensar?
E a legalização da Eutanásia na Holanda, onde já se pode antecipar a morte do doente que sofre de uma doença incurável... Não será isto uma forma de absolutizar a minha pessoa, o meu pensar. Quem sou eu para pensar que aquilo que penso é o melhor para o OUTRO? Afinal de contas quem somos nós para determinar aquilo que deve acontecer aos outros...
Bem vistas as coisas,essa coisa de capar o marido infiel não será apenas uma gota de água neste oceano da intolerância?
...Não haverá,por aí, muitas capadelas e muitas mutilaçöes -de vária ordem- que vão sendo feitas nos outros e que não têm direito a Tempo de antena?...
26/01/94