NA FREQUÊNCIA DA VIDA
Olá amigo ouvinte! Pois é, já estou como o outro: "Depois que vi um porco a andar de bicicleta já nada me surpreende"...
De facto, ao que se vai vendo - vendo, ouvindo, lendo e assistindo - já nada nos surpreende; já estamos vacinados contra tudo...
Sem ter a pretensão ou a presunção de fazer quaisquer tipo de juízos de valor, mas tão somente constatar de facto deve haver muito pouca coisa que nos possa surpreender - a avaliar pelo aquilo que vamos assistindo.
0 amigo ouvinte já deu conta? Agora, agora já se assiste a conferências de imprensa organizadas por prostitutas que reivindicam melhor condições de trabalho; de "trabalho," entende?...;
São os homossexuais, não sei de onde, que se manifestam publicamente nas ruas dizendo alto e bom som que são o que são e ninguém tem nada com isso... - e que tem todo o direito de também de adoptar filhos;
São também os concursos de televisão em que os concorrentes se despem - ou se despiam - se queriam ganhar automóveis;
E a Assembleia da Republica que sem parar, ainda se questionava se deveria ou não fazer uma pausa para poder assistir aos jogos do Europeu...
Pois, é verdade! De facto, ao que se vê e não vê, pouca coisa deve haver que nos surpreenda
Depois do "Bicho", - Bicho/1 e Bicho/2, bem entendido; depois do "Tchan tchan" e companhia; - Sim, porque até aqui no Tchan-tchan tchan- já temos companhia a dar-nos musica; Depois do João Baião, e daquele detergente que lava mais branco e que não se troca por duas embalagens de outro detergente; depois dos concursos da TV em que ganha quem compra mais e mais depressa nas grandes superfícies; depois daquelas fraldas para bebé que são mais macias do que a esponja e que fazem com que o bebé não tenha pesadelos Será que haverá ainda alguma coisa que nos possa surpreender?... Não é fácil não
Mas, e apesar de ser difícil, sempre encontrei uma coisa que não lembra ao diabo: Já vi casamentos debaixo de água e em pleno ar; o que eu não sabia é que a moda também estava a pegar, agora, nos funerais! É verdade ... Eu conto:
Desta vez, o que me despertou a atenção, foi uma noticia que eu li algures - numa daquelas revistazecas que se encontram nos consultórios de dentistas: dessas revistas que só sabem falar dos colunáveis, dos Vips e dessa gente que se arma em importante e que até paga para ser considerada como tal ( o amigo ouvinte esta a ver de quem me estou a referir, não está?? Pois bem: A noticia era curta, quase telegráfica, mas dava direito a fotografia e tudo. Claro... vinha dos States, como não podia deixar de ser. 0 amigo ouvinte de que é que estava à espera? Quanto a esta notícia ou eu muito me engano... ou não deve tardar muito e vai passar a figurar no "guiness book" como o último grito... em caixões...
Que as pessoas devem ser todas iguais ... nós já o sabemos; que a maior parte das vezes isso é só teoria... infelizmente isso também não é novidade para ninguém pois há sempre, como diz o outro, muito boa gente que se considera mais igual do que os outros...
No entanto, fiquei agora a saber que as desigualdades pelos vistos, querem ultrapassar a barreira da morte...
Contava a dita cuja revista que a família de um tal fulano, nos Estados Unidos, resolveu remodelar e adaptar o caixão de um familiar que tinha morrido. Para que o dito caixão ficasse mais parecido com o automóvel que o defunto utilizava quando era vivo- e que era um Mercedes, um Mercedes Benz! - vai daí, os familiares enlutados, e num gesto de solidariedade de todo o tamanho, que até nos comove até à medula, cismaram, por certo, que lá em cima, os Mercedes também iriam circular. Vai dai, e para que o caixão ficasse mais composto, pagam mais uns dolarzitos e colocaram no caixão, nada mais nada menos, do que a grelha de um Mercedes, com as respectivas luzes e pára-choques. Para que o caixão ficasse mais nos conformes, também não faltou o respectivo logotipo do Mercedes, para que o dito caixão ficasse mais apetrechado na longa viagem... Só faltou colocar no caixão uns pneuzitos daquela marca que eu não digo por causa da publicidade... Depois de descrever a forma como este caixão estava adaptado, ou equipado...- a dita revista terminava, citando uma afirmação do filho do defunto:
-O meu pai gostava muito do seu Mercedes e nós achámos que ele ficaria contente em poder passar os portões do céu conduzindo este modelo improvisado - confessou, cheio de vaidade, o filho por ter implementado uma ideia tão original... no caixão do pai. E, de facto, amigo ouvinte, com caixões, como este, modelo Mercedes, não há, certamente, céu que resista... - terá pensado este nosso amigo... Depois de ler esta notícia dei comigo a pensar:
Ainda bem que se pode entrar no céu, mesmo a pé...;Basta que sejamos nós próprios...
Não concorda comigo?
Até para a semana...
25/06/96