Internet
Padre presta aconselhamento on line
Quando o Padre Júlio Grangeia resolveu iniciar a informatização dos serviços paroquiais, estava longe de pensar que, volvidos alguns meses, a utilização do computador iria fazer parte das suas tarefas diárias. Seguiu-se, como "corolário lógico", a ligação à Internet.
Hoje o pároco das freguesias de Ribeira e Travassô, no concelho de Águeda, tem uma página pessoal na World Wide Web (WWW) .
Ao aperceber-se das potencialidades oferecidas pela rede mundial de computadores, o presbítero natural de Ilhavo, pede ajuda para criar um 'sítio' onde pode complementar a missão que assumiu como ideal de vida. "Rapidamente percebi que não é só um mundo de informação mas também de deformação", conta, "e é isso que estou a tentar explorar, como se fosse uma janela aberta para a evangelização".
A anterior experiência como radio- amador facilitou a entrada no ciberespaço onde,
"não obstante a podridão" existente, encontrou durante a caminhada
"aspectos positivos" em maior número.
A página do sacerdote está alojada no endereço http://www.terravista.pt/nazare/1342.
Quem lá chega é brindado com uma nota de humor: o nome Júlio Grangeia aparece entre os
cartons de um anjo e um diabo, por via do download, substituídos por fotografias do
próprio.
Para além de informação relativa à paróquia e elementos históricos e fotos das
freguesias, existe um livro de visitas onde se podem ler algumas das dezenas de mensagens
enviadas de todo o mundo. Ali são, principalmente, estímulos.
A receptividade tem surpreendido o pároco, que também é professor de religião e moral
na escola secundária Adolfo Portela. Em três meses on line, as consultas não pararam de
aumentar. Mesmo no início, os mil registos não eram normais para um ´sítio' pessoal.
Com a divulgação entretanto ocorrida o número triplicou.
No correio electrónico não chegam menos de trinta mensagens diariamente. Júlio Grangeia depara-se com "muita gente solitária, perdidos de si próprios", a quem procura dar, no mínimo, "algum conforto". Sabendo que é um padre que está do outro lado, as pessoas desabafam.
Os pedidos de esclarecimentos, "de toda a espécie", também não têm conta. Ora sobre a interpretação de dado texto da Biblía, ora sobre Fé e religiões. As críticas, garante, "contam-se por uma mão e sobram dedos". Até, num caso, alguém pediu a absolvição. "Já foi interpelado para isso, mas após alguma troca de correio bastou ajudar essa pessoa a sair do isolamento", conta o padre, para quem existem boas razões para a Igreja, futuramente, dar maior atenção ao que se passa na Net. Quanto mais não seja, "marcar presença e dizer que podem contar com ela".