Missas on-line e interactivas

Filipe R. Lucena

Missas on-line e interactivas

Duas eucaristias simultâneas, interactivas e transmitidas através da Internet. Aconteceu em Portugal, dia 11 de Maio, nas paróquias de Travassô e de Pessegueiro do Vouga, diocese de Aveiro. Esta foi a forma encontrada de assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicado à Internet, e de realizar um sonho já com anos.
“Era necessário encontrar o suporte técnico para realizar esta iniciativa – explicou o Pe. Júlio Granjeia à Agência ECCLESIA – e só o conseguimos devido à boa vontade e disponibilidade de várias pessoas e empresas que permitiram que isto se concretizasse”. Para o pároco de Travassô, habituado às lides da Internet, tendo já transmitido pela “rede” um casamento entre um português e uma brasileira, esta experiência foi, contudo, única porque “houve interacção”.
Desta forma, cada igreja paroquial tinha no seu interior um écran gigante, dividido em dois, onde se podia acompanhar a celebração nas duas igrejas. Chegada a altura da Oração dos fiéis, o sistema áudio foi ligado e as preces dos cristãos foram alternando entre Travassô e Pessegueiro do Vouga, sendo que a resposta a cada prece era dada pelos fiéis presentes nos dois templos. Esta interactividade foi ainda conseguida em alguns momentos da homilia. Terminado o espaço para a interactividade entre as duas paróquias, “as palmas surgiram instintivamente”, contou o Pe. Júlio Granjeia.
Porque esta foi uma iniciativa que recolheu de diversa comunicação social alguma atenção, os fiéis chegaram, em alguns casos, uma hora adiantados para a eucaristia e ambas as igrejas ficaram apinhadas de gente.
As eucaristias chegaram a ser vistas pela internet por 45 pessoas ao mesmo tempo. O Pe. Júlio Granjeia referiu que o sistema informático permitia apenas 30 visitas em simultâneo com a qualidade máxima de som e imagem. Assim, “em termos técnicos e pastorais, foi muito positivo e ultrapassou as minhas expectativas”, confessou, apesar de reconhecer que esta iniciativa “valeu sobretudo como sensibilização para as potencialidades da Internet”.
A reacção da população “tem sido muito boa, não apenas nas centenas de e-mais recebidos a felicitar pela iniciativa mas também nas mais de mil visitas em apenas um dia” à página pessoal do Pe. Júlio Granjeia, uma das primeiras, no seio do clero, e onde hoje se pode inclusive aceder a um “chat” (conversa escrita em tempo real) com o sacerdote.
Para o Pe. Júlio Granjeia, “após ter iniciado em 1997 com dúvidas sobre a forma como outros olhariam para esta incursão neste meio, hoje está provado que afinal o caminho era por aqui”. “A Igreja tem que apostar nisto. Não basta um bombeiro com boa vontade; é preciso gente habilitada, em full-time a trabalhar”, concluiu o sacerdote.