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Lisboa, 08 Jul (Lusa) - Os caminhos da fé também já
descobriram as auto-estradas da informação. Com a "explosão" da
Internet, cada vez mais padres recorrem ao ciberespaço para chegar aos
crentes. Em Portugal há já 93 paróquias com páginas na net.
A profusão de locais na Internet levou já a igreja da
Amadora
a desenvolver o projecto "Paróquias de Portugal", reunindo na sua
página www.paroquias.org os endereços electrónicos das congéneres
nacionais que optaram por marcar presença junto dos cibernautas.
Um dos responsáveis pela iniciativa, Luís Gonzaga,
disse à
agência Lusa que, apesar de as mais de 90 igrejas representadas no
espaço virtual se localizarem maioritariamente nos grandes centros
urbanos, também há paróquias de aldeia com página na Internet.
Aliás, o primeiro padre português a criar um local no
universo
da "world wide web", em 1994, foi Júlio Grangeia, pároco em Óis da
Ribeira e Travassô, pequenas localidades do distrito de Aveiro.
Actualmente, Lisboa lidera a lista dos distritos com
mais
"sites" de paróquias, com 20, seguida do Porto, com 15, Coimbra e
Aveiro, ambos com nove.
Mas a tendência aponta para o aumento de páginas, na
opinião
de Luís Gonzaga, visto que entre 1999 - ano em que arranca o projecto
"Paróquias de Portugal" - e 2000 surgiram cerca de 30
"sites" e
actualmente já atingem os 90.
No entanto, os obstáculos que encontra de cada vez que
procura
actualizar a informação do site "Paróquias de Portugal" não
facilitam
a sua tarefa: "Não é fácil. Na maior parte das vezes contamos só com o
Patriarcado" para fornecer dados sobre novas páginas de igrejas.
Uma das últimas paróquias a apanhar a onda cibernauta
foi a do
Campo Grande, em Lisboa, a cargo do mediático padre Vítor Feytor
Pinto, que inaugurou a sua página a 27 de Maio passado, Dia Mundial
das Comunicações.
Na nota de apresentação do "site", Feytor
Pinto diz que
pretende "dar a conhecer a organização da Comunidade Paroquial, como
também as múltiplas actividades que a Paróquia desenvolve no âmbito
das áreas litúrgica, evangelizadora e sócio-caritativa".
O acesso ao ciberespaço tem ainda a vantagem de
colocar em pé
de igualdade tanto as paróquias dos centros mais populosos como das
mais remotas aldeias, quer ao nível da notoriedade quer na facilidade
de contacto.
O padre Manuel Barros, da paróquia de S.Brás, em Évora,
um dos
entusiastas do recurso à net por parte da Igreja Católica, defende que
toda a estrutura eclesiástica deveria utilizar as novas tecnologias,
por considerar que é um bom meio de divulgação das actividades de cada
comunidade paroquial.
Mostrou-se ainda satisfeito com os resultados obtidos
pelo
site da sua paróquia nesta área que, segundo diz, tem proporcionado um
maior contacto com os jovens e com a comunidade.
Também o padre pioneiro Júlio Grangeia defende as
vantagens do
recurso à Internet. "Estou plenamente convencido de que a igreja tem
mesmo que abraçar estas novas ‘auto-estradas’, porque se não o
fizermos corremos cada vez mais o risco de falar para menos pessoas",
disse o pároco à Lusa.
Actualmente, e graças ao sucesso do seu
"site", afirma não ter
mãos a medir com todos os pedidos de aconselhamento que recebe, por
parte de um vasto leque de pessoas: "Sou procurado por todo o tipo de
pessoas: cristãos e não cristãos, praticantes e indiferentes, amigos e
paroquianos fora do país".
"A partir do momento em que ganhamos a confiança
das pessoas e
somos conhecidos como padres (porque há cibernautas que duvidam),
acabamos por ouvir desabafos mais profundos do que aqueles que se
fazem na vida real", salientou.
Se por um lado, e na opinião do pároco Júlio
Grangeia, este
adaptar da Igreja Católica às novas tecnologias lhe confere um cariz
de modernidade, por outro lado espelha bem as novas necessidades da
sociedade: "As pessoas precisam que a ideia de ‘padre distante’ se
desmistifique, de forma a que se possam sentir à vontade para falar".
Considera-se um padre a tempo inteiro, onde quer que
esteja, e
por isso vê-se na obrigação de ajudar as pessoas, recorrendo aos meios
de que dispõe, designadamente as novas tecnologias.
Mas não deixa de distinguir o trabalho que presta na
net do
que executa na gestão das duas igrejas que dirige: "Na paróquia faço o
trabalho normal de qualquer padre, incluindo as confissões. Na
Internet ouço, porque as pessoas não me procuram para se confessar,
mas para que lhes dê atenção, e escute os seus desabafos".
Apesar da "desmedida paixão" que diz ter
pelo trabalho que
desenvolve na net, continua a atribuir grande importância ao contacto
pessoal com as pessoas, e à resposta em tempo real aos seus problemas.
"Somos pessoas, não máquinas. Seria um pecado de
omissão
ignorar estas novas tecnologias, mas a Internet é apenas um meio de
apoiar e encaminhar as pessoas", salienta.
No entanto, espera ainda que a abertura da igreja católica
a
este novo recurso conte com mais incentivos, defendendo mesmo que
devem passar a existir padres exclusivamente dedicados à Internet e
propondo que celebrem missas no ciber-espaço.
MDS
Lusa/Fim