Padre agredido com cadeira em assalto

Encapuzados com faca invadiram residência paroquial de Arcos de Valdevez e roubaram 200 euros
 

LUÍS HENRIQUE OLIVEIRA

O pároco de Arcos de Valdevez foi agredido na cara com uma cadeira, por dois encapuzados que lhe assaltaram a residência. Os ladrões, munidos de faca, levaram 200 euros e o sacerdote teve de ser assistido no hospital.

João Gomes, também arcipreste do município, foi surpreendido, na sexta-feira à noite, por dois assaltantes, que forçaram a entrada na residência paroquial da vila e, sob ameaça de faca, exigiram todo o dinheiro. "Repetiram, por várias vezes, que, caso não lhes déssemos todo o dinheiro, nos matavam", recordou, ao JN, o pároco, ainda mal refeito do susto.

O episódio, que sobressaltou a pacata vila de Arcos de Valdevez, teve lugar pouco depois das 20.30 horas, altura em que o sacerdote e a irmã, Conceição Gomes (que reside com o pároco), jantavam com outro padre do município, na residência paroquial.

Segundo Conceição Gomes, os assaltantes bateram à porta da residência "como se de qualquer outra pessoa se tratasse, o que não nos fez levantar nenhuma suspeita". Contudo, uma vez aberta a porta, "forçaram a entrada pela casa a pontapés, exigindo saber onde estava o padre e onde ele guardava o dinheiro. Diziam apenas que queriam dinheiro, depressa e muito. Caso contrário, que nos matavam a todos", contou.

Os assaltantes, com idades a rondar os 20 anos, segundo João Gomes, foram, então, encontrá-lo na cozinha da moradia, onde jantava, não deixando mais ninguém dali sair. "Gritavam que queriam dinheiro. Tentei acalmá-los, mas de nada valeu. Na falta de uma resposta a tempo, um deles pegou numa cadeira e atingiu-me no rosto, ferindo-me no nariz. Mal me agrediram, o sangue começou a jorrar. Foi assustador", descreveu o sacerdote, que cessa, no próximo domingo, na vila minhota, a sua acção pastoral de quase meio século.

No meio da confusão, a irmã do pároco deitou mão a uma bolsa, que foi, de imediato, roubada pelo duo. Os assaltantes, contudo, consideraram tratar-se de "pouco dinheiro", tornando a ameaçar os presentes de morte, com a faca.

"Eles só queriam dinheiro, e depressa. Nada havia que os acalmasse. Foi então que meti a mão ao bolso e dei-lhes o que tinha. Com o dinheiro na mão, saíram de casa a correr. Terão levado, ao todo, perto de 200 euros, o que nada é para a aflição por que todos passámos", assinalou o sacerdote, que viria, depois, a ser conduzido, na viatura de outro padre, ao centro de saúde local. Dali, João Gomes foi transferido para o Centro Hospitalar do Alto Minho, em Viana do Castelo, de onde viria a ter alta já durante a madrugada.

"Já sosseguei os paroquianos dizendo-lhes que estou a recuperar dos ferimentos e que o episódio poderia ter tido um desfecho bem diferente. Comuniquei-lhes, também, que nenhum bem da igreja (situada junto à residência paroquial) foi furtado. Que eles levaram pouco dinheiro", acrescentou, afiançando não ter memória "de nenhuma investida do género" no concelho de Arcos de Valdevez.

De acordo com o sacerdote, após uma vaga de assaltos que varreu diversos templos do concelho, há cerca de uma década (ver caixa), "o que continua a suceder são os assaltos às caixas de esmolas, situação que não nos dá sossego", considerou o sacerdote. Segundo apurou o JN, o arcipreste de Arcos de Valdevez deverá, hoje, formalizar queixa junto da GNR

in JN Edição de 16-09-2008