João Gomes,
também arcipreste do município, foi
surpreendido, na sexta-feira à
noite, por dois assaltantes, que
forçaram a entrada na residência
paroquial da vila e, sob ameaça de
faca, exigiram todo o dinheiro.
"Repetiram, por várias vezes, que,
caso não lhes déssemos todo o
dinheiro, nos matavam", recordou, ao
JN, o pároco, ainda mal refeito do
susto.
O episódio, que sobressaltou a
pacata vila de Arcos de Valdevez,
teve lugar pouco depois das 20.30
horas, altura em que o sacerdote e a
irmã, Conceição Gomes (que reside
com o pároco), jantavam com outro
padre do município, na residência
paroquial.
Segundo
Conceição Gomes, os assaltantes
bateram à porta da residência "como
se de qualquer outra pessoa se
tratasse, o que não nos fez levantar
nenhuma suspeita". Contudo, uma vez
aberta a porta, "forçaram a entrada
pela casa a pontapés, exigindo saber
onde estava o padre e onde ele
guardava o dinheiro. Diziam apenas
que queriam dinheiro, depressa e
muito. Caso contrário, que nos
matavam a todos", contou.
Os
assaltantes, com idades a rondar os
20 anos, segundo João Gomes, foram,
então, encontrá-lo na cozinha da
moradia, onde jantava, não deixando
mais ninguém dali sair. "Gritavam
que queriam dinheiro. Tentei
acalmá-los, mas de nada valeu. Na
falta de uma resposta a tempo, um
deles pegou numa cadeira e
atingiu-me no rosto, ferindo-me no
nariz. Mal me agrediram, o sangue
começou a jorrar. Foi assustador",
descreveu o sacerdote, que cessa, no
próximo domingo, na vila minhota, a
sua acção pastoral de quase meio
século.
No meio da
confusão, a irmã do pároco deitou
mão a uma bolsa, que foi, de
imediato, roubada pelo duo. Os
assaltantes, contudo, consideraram
tratar-se de "pouco dinheiro",
tornando a ameaçar os presentes de
morte, com a faca.
"Eles só
queriam dinheiro, e depressa. Nada
havia que os acalmasse. Foi então
que meti a mão ao bolso e dei-lhes o
que tinha. Com o dinheiro na mão,
saíram de casa a correr. Terão
levado, ao todo, perto de 200 euros,
o que nada é para a aflição por que
todos passámos", assinalou o
sacerdote, que viria, depois, a ser
conduzido, na viatura de outro
padre, ao centro de saúde local.
Dali, João Gomes foi transferido
para o Centro Hospitalar do Alto
Minho, em Viana do Castelo, de onde
viria a ter alta já durante a
madrugada.
"Já sosseguei
os paroquianos dizendo-lhes que
estou a recuperar dos ferimentos e
que o episódio poderia ter tido um
desfecho bem diferente.
Comuniquei-lhes, também, que nenhum
bem da igreja (situada junto à
residência paroquial) foi furtado.
Que eles levaram pouco dinheiro",
acrescentou, afiançando não ter
memória "de nenhuma investida do
género" no concelho de Arcos de
Valdevez.
De acordo com
o sacerdote, após uma vaga de
assaltos que varreu diversos templos
do concelho, há cerca de uma década
(ver caixa), "o que continua a
suceder são os assaltos às caixas de
esmolas, situação que não nos dá
sossego", considerou o sacerdote.
Segundo apurou o JN, o arcipreste de
Arcos de Valdevez deverá, hoje,
formalizar queixa junto da GNR
in JN Edição
de 16-09-2008