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Ao aproximar-se a Semana dos Seminários, de 11
a 18 de Novembro, quero dirigir-me a toda a Diocese, na certeza
de que todos somos chamados a dar vida ao Seminário.
O primeiro Bispo de Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal,
pensou, logo após a restauração da Diocese em 1938, na
instituição do Seminário Diocesano. Para responder a esta
decisão pastoral, surgiram no ano seguinte instalações
provisórias no centro da cidade e de olhos voltados para a
Catedral. Dali se partiu para o novo, belo e amplo edifício do
Seminário de Santa Joana Princesa e mais tarde para o Seminário
de Nossa Senhora da Apresentação em Calvão, repartindo pelas
duas casas os alunos que cresciam em número.
Nestes quase 70 anos de vida da Igreja Aveirense, o Seminário
encontrou sempre no coração dos seus Pastores o enlevo solícito
e a atenção pastoral necessária para que em cada momento pudesse
dar resposta à sua missão específica: preparar presbíteros para
a Igreja de Jesus Cristo.
Ao longo deste tempo, o Seminário de Aveiro, em articulação
sucessiva com os Seminários de Cristo Rei dos Olivais, da Boa
Nova de Valadares, de Leiria-Fátima ou de Coimbra, onde os seus
alunos continuavam e prosseguem também hoje os seus estudos,
preparou centenas de jovens, muitos deles servidores da Igreja
no ministério ordenado e tantos outros leigos comprometidos com
a missão da Igreja e com o bem do Mundo.
Esta é uma hora de acção de graças pelo trabalho feito, pela
missão cumprida e pela vida dada ao Seminário por todos quantos
ao longo do tempo ali se entregaram com generosidade e dedicação
insuperáveis. Lembremos os Formadores, os Professores, as Irmãs
Religiosas do Amor de Deus, os Alunos e os Funcionários.
Todos somos chamados a dar vida ao Seminário, consolidando-o na
sua estrutura funcional, dotando-o de pessoas e de recursos e
confirmando-o na sua natureza específica e na sua finalidade
essencial.
Os primeiros que devem ser sensíveis a este chamamento são os
Antigos Alunos do Seminário: padres ou leigos. O seu amor e a
sua gratidão pelo Seminário constituem o melhor testemunho a
dizer-nos que muito do que hoje são ali o receberam.
A Igreja diocesana continua a precisar de Seminário. Ali cresce
o seu futuro no que diz respeito à preparação, à vida e à missão
dos seus pastores. A missão do Seminário não termina com a
Ordenação Presbiteral. A qualidade da vida e da acção do
Presbitério gera-se desde logo a partir do tempo vivido e da
formação recebida no Seminário.
Este reencontro do Presbitério com o Seminário é essencial e
imprescindível na vida da Igreja. Nenhum presbítero se pode
esquecer nem dispensar desta missão indeclinável: ser
pessoalmente e em presbitério formador dos futuros pastores da
Igreja.
Deve igualmente o Seminário abrir-se ao Presbitério e à Igreja
Diocesana, para que todos aí encontrem espaço e sentido, nunca
faltando ao Seminário a oração, o afecto e a generosidade de
todas as Comunidades cristãs da Diocese, assim como de todas as
Comunidades Religiosas e de Vida Consagrada.
São estes os elementos essenciais para que no Seminário se
consolide a cultura vocacional que deve germinar e irradiar por
toda a Diocese e se eduquem para o discernimento, para a
fidelidade e para a perseverança quantos se sentem chamados para
o serviço do Reino e se preparam para serem pastores segundo o
Coração de Jesus Cristo, o Bom Pastor.
Dar vida ao Seminário, implica e pressupõe a oração intensa de
toda a Comunidade Diocesana, o afecto e a generosidade que as
várias iniciativas pastorais e o ofertório da Semana dos
Seminários sugerem, revelam e exprimem.
Na medida em que a comunidade do Seminário seja sinal vivo de
Cristo que chama novos discípulos e deles faz apóstolos do
Reino, o próprio Seminário ajudará as famílias, os grupos, os
movimentos apostólicos, os serviços pastorais diocesanos e as
Comunidades cristãs a serem, também eles, sinais de salvação
para o mundo e lugar vocacional por excelência.
Inicia-se esta Semana dos Seminários no dia em que, em Roma, os
Bispos portugueses concluem a Visita ao Túmulo dos Apóstolos
Pedro e Paulo numa experiência única de comunhão com o sucessor
de Pedro, o Papa Bento XVI.
São dele as seguintes palavras: “A vocação dos Doze, muito além
de qualquer aspecto meramente funcional, assume um sentido
profundamente teológico: o seu chamamento nasce do diálogo do
Filho com o Pai. Os trabalhadores da messe não se podem escolher
simplesmente como um empresário procura os seus operários: mas
devem ser pedidos a Deus, e por Ele mesmo escolhidos para este
serviço.”
É esta a missão do Seminário: chamar e acolher os trabalhadores
da messe e deles fazer servidores do Reino, não por razões
estratégicas mas por opção teologal e eclesial.
Cumpre-nos dar vida ao nosso Seminário para que nele cresça
também o futuro da Igreja de Aveiro.
Confio e consagro a Nossa Senhora, Mãe do Bom Pastor e Mãe da
Igreja, por intercessão de Santa Joana, Padroeira da Diocese e
do Seminário, este propósito pastoral e este compromisso de
Pastor.
Aveiro, 6 de Novembro de 2007, memória do Beato Nuno de Santa
Maria
D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro |